A sexualidade é tema que tem prioridade para os jovens, provoca debates, polêmicas e grande interesse. Informações equivocadas sobre sexualidade contribuem para a vulnerabilidade dos adolescentes frente às doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez precoce ou indesejada. Portanto, é na educação que se identifica um caminho para a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez precoce ou indesejada.
O despreparo inicial dos adolescentes para compreender e desfrutar de sua sexualidade, o seu sentimento ilusório de proteção e poder sobre a vida, a sua dificuldade em tomar decisões e a necessidade de ser aceito pelo outro, são características que os tornam extremamente vulneráveis a comportamentos sexuais de risco.
Gravidez na Adolescência
Um olhar crítico revela que a concepção de adolescência não está atrelada somente a fatores físicos e psicológicos, mas também a fatores sócio-econômicos que determinam o modelo de sociedade de cada época. Tome-se como exemplo o Brasil do século passado, quando meninas entre 12 e 14 anos estavam “aptas” para o casamento recebendo a bênção da igreja.
Atualmente, a sociedade atribui à fase da adolescência a atividade escolar e a preparação profissional. Os pais desejam para seus filhos uma trajetória de vida. definida como a ideal, ou seja, formação escolar, trabalho, autonomia financeira e constituição familiar. Assim, a gravidez e a maternidade na adolescência rompem com essa trajetória apontada como ideal e natural e emergem socialmente como problema e risco a serem evitados.
Dentre as causas da gravidez precoce geralmente destacam-se as condições sócio-econômicas das adolescentes, a falta de informação sobre o próprio corpo e sobre os métodos contraceptivos, além da dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública.
Infecções sexualmente transmissíveis
Infecções sexualmente transmissíveis (IST's) são transmitidas de uma pessoa a outra através de relações sexuais desprotegidas. A maioria delas é causada por agentes microscópicos como vírus, bactérias, fungos e outros microorganismos que geralmente se alojam nos órgãos genitais. Se não forem tratadas a tempo podem deixar sequelas ou até levar à morte, como por exemplo, a sífilis e a AIDS.
Na realidade, muitos adolescentes estão sob risco de IST's, porque ainda não têm bem desenvolvida a habilidade de tomar decisões responsáveis, como adiar o início das relações sexuais, recusar relacionamentos indesejáveis ou exigir o uso de preservativo.
Estes fatos conferem grande prioridade à intervenção junto a população adolescente, mostrando que o incentivo à adoção de práticas seguras e eficazes para evitar a transmissão. Quando se trata da população adolescente, a situação torna-se muito delicada. Isto porque temos de trabalhar em cima de questões sexuais que muitas vezes não foram nem discutidas e, quando o foram, estavam cheias de tabus e preconceitos.
Reflexão
O enfermeiro deve incentivar o adolescente a agir em nome da sua saúde e bem-estar, e na garantia dos seus direitos, quanto à acessibilidade aos serviços de saúde, de forma integral e ações que promovam o empoderamento, autonomia e auto-cuidado. A enfermagem e toda a equipe de saúde da família têm um papel de extrema importância, pois tem uma visão ampla de cuidado, contribuindo para as ações de uma assistência humanizada, organizando ações voltadas para a educação sexual e reprodutiva desses jovens, a fim de esclarecer sobre os riscos de uma gestação precoce, bem como sobre as IST's.
Referência
CELESTE, Lorena Esmeralda Nascimento; CAPPELLI, Ana Paula Gameiro. Papel do enfermeiro do PSE na prevenção da gravidez na adolescência. Revista Pub Saúde, 4, a094. 2020. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.31533/pubsaude4.a094>. Acesso em 17/04/2022.

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