
Como os nutrientes utilizados pelo enterócito provêm do lúmen, o jejum ou a restrição alimentar podem causar prejuízo da renovação celular. Dessa forma, a recomendação é de que se inicie a dieta após 4 a 5 horas do início da reidratação nos casos de desidratação leve a moderada.
Com a criança hidratada, deve-se manter a dieta habitual do paciente. O leite materno deve ser mantido mesmo nos casos de desidratação leve a moderada. A restrição de lactose só deve ser indicada em casos selecionados, como na desidratação grave, desnutrição e em casos de cólica intensa.
Nesses casos, o ideal é restringir a oferta de leite, com manutenção da dieta caseira habitual, pois demonstrou-se que há melhor ganho ponderal diminuindo o consumo de leite do que com o uso de fórmula sem lactose. Não há evidências de benefício do uso fórmula de soja ou hipoalergênica. É recomendado que se evitem sucos com alto teor de frutose, sacarose e sorbitol.
Uma alimentação adequada (com relação à quantidade de calorias, macro e micro nutrientes) reduz ocorrência de novos episódios diarreicos.
É conveniente ressaltar que é comum a anorexia no paciente enfermo com diarreia aguda e que ela pode ser agravada por distúrbios hidroeletrolíticos. Em tais casos, devem ser oferecidos alimentos em pequenas porções e com maior frequência.
A OMS recomenda que após a diarreia, seja oferecida 1 refeição a mais por dia por 2 semanas.
A adequada nutrição impede a instalação de um círculo vicioso em que a diarreia leva à desnutrição, que leva à menor resistência a enteropatógenos, favorecendo a ocorrência de outro quadro diarreico.
- Reflexão
A atuação do enfermeiro não se restringe ao emprego do instrumental clínico, mas abarca a dimensão dos componentes que integram a estratégia, como vigilância em saúde, organização dos processos de trabalho, e o fortalecimento das práticas familiares para a promoção da saúde e identificação dos sinais de gravidade.
Além das ações realizadas nas unidades de saúde, o enfermeiro deve realizar orientações em locais de atendimento infantil, como creches, escolas e abrigos. Com intervenções de saúde baseadas nos princípios da promoção de saúde e prevenção de doenças, incentivo ao aleitamento materno exclusivo e complementar até 2 anos, imunização, práticas alimentares adequadas, dentre outras.
A promoção da saúde e prevenção da doença é o método primário mais seguro para minimizar a incidência de diarreia, no entanto é preciso tratar causas primárias e 11 manifestações clínicas quando surgem. Compreender como a diarreia se manifesta é importante para que a família identifique de imediato, pois o diagnóstico precoce pode diminuir os índices de internação e mortalidade por diarreia severa.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Saúde. Manejo do paciente com diarreia. Portal da Saúde. Brasília, 2014.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Guia prático de atualização. Diarreia aguda: diagnóstico e tratamento, N°1, 2017.
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