Impacto da pandemia de COVID-19 na violência infantil



A necessidade do distanciamento social como estratégia efetiva no ponto de vista epidemiológico frente à crescente expansão da pandemia de COVID 2019 visou a redução das taxas de transmissão da doença. Todavia, culminou em consequências secundárias a esse cenário, uma delas foi a crescente nos índices de violência contra a criança. 
  
Segundo a World Vision o aumento da violência infantil foi vislumbrado em diversos países pelo mundo, sendo estimado um acréscimo de 20 a 32% durante a pandemia. Em relação ao Brasil, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, estima-se um crescimento de até 50% nas denúncias deste tipo de violência durante a pandemia.

  • O que levou a essa crescente?



Essa crescente é justificada por elementos que atenuaram a violência doméstica em crianças durante a pandemia. O maior agravante diz respeito ao fechamento das escolas, medida adotada pelos governos nacionais e internacionais para conter a transmissibilidade do Coronavírus.

Essas medidas restritivas favorecem a dinâmica do poder dos pais e cuidadores por meio de táticas de controle, vigilância e coerção, além da ausência de profissionais que reconheçam sinais sugestivos de violência, o que facilita que os direitos à criança sejam violados. Longe das escolas e de outros serviços comunitários, às crianças encontram-se com maior dificuldade de serem ajudadas, concedendo maior liberdade de ação aos abusadores

Concomitantemente, o cenário de instabilidade econômica global, acarretou nos pais e familiares, sentimentos de preocupação e estresse, pela incerteza em assegurar o sustento familiar. Atrelados ao aparecimento de mudanças comportamentais e alterações emocionais nas crianças, relacionados com à falta de socialização, falta da estrutura e apoio da escola e dificuldade de adaptação à nova rotina, acarretando atitudes inapropriadas e desobedientes.

Frente ao exposto, os familiares apresentaram dificuldades em gerenciar e tolerar as crianças, respondendo, muitas vezes, com punições agressivas e violentas, associadas ao aumento no consumo do álcool durante a pandemia, como mecanismo de busca as sensações de bem-estar para escapar do desprazer, descontentamento, frustração e raiva, precipitaram e/ou acentuaram o fenômeno da violência contra crianças.

  • Reflexão 


Para além do fechamento das escolas e alterações no contexto familiar, as restrições dos atendimentos de saúde, considerados essenciais para reconhecimento de sinais sugestivos de violência, atrelados a fragilidade dos serviços de apoio à rede de proteção à criança, diminuíram significativamente as denúncias. Isso porque, 67% das denúncias de abusos ou negligência contra as crianças são realizadas por profissionais da saúde.

Assim, vale ressaltar a importância das instituições sociais no combate à violência doméstica, de modo articulado e interdisciplinar, visando a garantia dos direitos da criança e o papel social do enfermeiro, como parte atuante dos serviços de saúde, possibilitando as denúncias e condutas.


Referência


SOARES, Caroline Fernandes Soares, et al. Fatores precipitantes e/ou agravantes da violência contra crianças no contexto da COVID-19. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.1, p. 9430-9442 Jan. 2021. Disponível em:  <https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-638> Acesso em: 04/03/2022. 

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