Violência infantil: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)


Violência consiste no uso intencional da força física ou do poder, de forma real ou em ameaça, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, desenvolvimento ou privação. 

Visando a proteção das crianças e adolescentes, em 2008 foi elaborado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em que a criança é tida como a pessoa com até 12 anos de idade incompletos e adolescente, entre 12 e 18 anos de idade.

Tanto as crianças, como os adolescentes, possuem direitos fundamentais, como à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, dignidade, ao convívio familiar e comunitário. Os direitos em questão devem-lhe ser assegurados a fim de promover seu desenvolvimento físico, espiritual, mental e social.

Mas a violência não restringe-se apenas a física, frente a isso podem ser classificadas em: físicos; sexuais; psicológicos ou envolvendo privação ou negligência, dessa forma tem-se:



  • Violência física infantil: inclui-se todo tipo de punições físicas e demais maneiras de tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante, ou punições como bullyng e ameaças por adultos ou outras maneiras de agressão.
  • Violência sexual: englobará quaisquer atividades sexuais impostas por um adulto ou até mesmo uma criança, protegida por lei. O ato sexual é considerado abuso no momento em que é cometido por outra criança, se o ofensor é significativamente mais velho que a vítima, ou abusar de poder ou demais formas de pressão.

  • Violência mental: é considerado maus-tratos psicológicos, abuso mental, verbal, emocional ou negligência. Sendo assim, dentre outras maneiras, tem-se interações danosas persistentes, como a cobrança excessiva, ameaças, aterrorizar, negação de responsabilidade emocional, entre outras.

  • Negligência: é a falha em reconhecer as necessidades físicas e psicológicas da criança, em proteger contra as falhas e perigos na busca de serviços médicos, assim como registros de nascimentos ou outros serviços, a partir do momento em que o responsável detém o conhecimento, entendimento e meios de acessar esses serviços.

A violência infantil apresenta consequências negativas na saúde da criança, pois afeta seu desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social de diferentes formas. O impacto dessa violência pode se estender para a vida adulta e resultar, por exemplo, no desenvolvimento de comportamentos transgressores posteriormente.
 
Reflexão

 

O profissional enfermeiro deve ser detentor de conhecimentos frente às legislações que protegem a criança e os adolescentes, pelo fato de estarem preparados para identificação dos casos de violência infantil e seus direcionamentos dentro das realidades de atenção.

Muitas vezes ao se deparar com situações de violência o profissional encontra-se num dilema ético de garantia da integridade física e moral do paciente atendido, bem como seu papel social de notificar os serviços adequados nessas situações para os procedimentos cabíveis. Assim, o processo de educação continuada para a equipe e a instituição de fluxogramas ou protocolos que norteiam as condutas frente uma situação de violência facilitam o trabalho da equipe e garantem a melhor assistência.


  • Referência


AQUINO, Erick Verner de Oliveira et al. Fatores socioeconômicos e saúde de crianças em contexto de violência. Revista Aletheia. Canoas- RS. 2021. vol. 54; nº1. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_a>. Acesso em 04/02/2022.


Postar um comentário

0 Comentários