Com a proximidade do Inverno, aumentam as ocorrências de infecções de vias aéreas superiores (IVAS), sobretudo em crianças com idade escolar.
Apesar de menos de 2% das IVAS evoluírem para uma rinossinusite bacteriana, outras complicações podem acontecer, ainda que de forma rara. São as otites, faringoamigdalites, laringites e pneumonias.
O primeiro passo, é diferenciar gripe de resfriado. A gripe é causada pelo vírus influenza (tipos A ou B) e, geralmente, é caracterizada por febre alta, dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza e tosse seca, o que pode durar até duas semanas, a febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Alguns casos podem apresentar complicações graves, como pneumonia, necessitando de internação hospitalar.
Já o resfriado, como esclarece Nayara Lacerda, é causado por vírus diferentes, sendo os mais comuns rinovírus, parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (RSV). Os sintomas do resfriado são mais brandos e duram menos tempo do que a gripe, sendo, em média, quatro dias. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo, febre baixa e dor de garganta leve.
O diagnóstico da gripe normalmente é baseado em sinais e sintomas percebidos durante o exame físico. A infecção é combatida pelo próprio sistema imunológico e as medicações são utilizadas para aliviar os sintomas. Por isso, são importantes o repouso e a hidratação.
A febre é controlada por analgésicos e antitérmicos e as medicações antivirais são indicadas para alguns casos específicos, mais graves e pacientes com fatores de risco.
- AUMENTO NO INVERNO?
No Inverno, são maiores as aglomerações em ambientes fechados, o que aumenta a proximidade entre as pessoas, facilitando a transmissão do vírus. O frio não é, portanto, causa da gripe, mas cria condições para maior disseminação do vírus em lugares com pouca ventilação onde as pessoas falam, tossem e espirram muito perto umas das outras.
O tempo seco e frio dificulta também a dispersão dos poluentes atmosféricos, piorando a qualidade do ar, gerando maior irritação da mucosa respiratória, o que pode agravar patologias prévias, como rinites e asma, além de facilitar as infecções.
- PREVENÇÃO
- Lavar os brinquedos com regularidade;
- Não compartilhar talheres e copos;
- Lavar as mãos com frequência;
- Higienizar as mãos após tocar o nariz ou assoar;
- Evitar que a criança tenha o hábito de levar a mão ao nariz e boca;
- Pincipalmente no inverno, evite a permanência em lugares aglomerados, fechados e pouco ventilados;
- Areje a casa todos os dias;
- Cobrir a boca e o nariz com papel ao tossir ou espirrar;
- Tomar vacinas. A imunização previne infecção por três ou quatro tipos de vírus. Em 2019 o Ministério da Saúde ampliou o limite de idade no público infantil e crianças de 6 meses até 6 anos incompletos podem tomar a dose nos postos de saúde. A proteção vacinal tem início de 10 a 15 dias após a aplicação e estende-se por 1 ano.
- REFLEXÃO
As síndromes respiratórias mostram-se uma das comorbidades mais prevalentes nos lactentes e escolares, assim o profissional de enfermagem desempenha papel na orientação das famílias visando a prevenção dessas comorbidades, além de orientar e programar condutas para o cuidado de pacientes, visando uma recuperação melhorada e mitigando as complicações.
Esse tema foi trabalhado através de estudos de caso, os mesmos mostram-se muito efetivos para a absorção do conhecimento, pois relacionam a clínica com a fisiopatologia, sendo uma estratégia de grande valia. Contudo, por tratar de uma visão muito centrada no contexto hospitalar, senti falta de casos e orientações desenvolvidas no âmbito da atenção primária, visto que esse deve ser o ponto de entrada no SUS, e que mais de 70% dos 'problemas' devem ser solucionados nesta esfera.
Referências
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Chegada do Inverno favorece ocorrências de infecções de vias aéreas superiores, 2019. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/chegada-do-inverno-favorece-ocorrencias-de-infeccoes-de-vias-aereas-superiores/> Acesso em 19/03/2022.

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