Impacto da Hospitalização na Infância: uso do Brinquedo Terapêutico



A hospitalização da criança é marcada por uma série de questões que afetam várias esferas de sua vida uma delas é o impacto no seu desenvolvimento. O afastamento de casa, do convívio dos familiares, perda de interação com a comunidade que está inserida, além da quebra da sua rotina e dos hábitos, são fatores geradores de sentimentos que essa criança irá experimentar durante sua permanência no hospital que podem afetar seriamente seu desenvolvimento psicológico, variando de magnitude de acordo com a sua idade. 

O ambiente hospitalar é adverso para a criança, por vezes marcado por temores de internações anteriores, procedimentos dolorosos que causam estresse, estigma em relação aos profissionais que vestem branco ou outras questões que tenham lhes marcado negativamente.

A hospitalização é uma situação que gera um desequilíbrio tanto para a família quanto para a criança doente no que diz respeito as mudanças, rupturas e novas demandas desse processo. A criança independentemente da idade constitui-se de relações tendo como primeira referência a família, sendo assim diante da situação de adoecimento todo esse contexto será afetado, sendo necessário uma reorganização para que a criança tenha um suporte afim de enfrentar esse momento e minimizar os danos da hospitalização. 

O profissional de enfermagem é um dos atores desse cuidado e suas intervenções devem envolver não só a criança mas também a família, assim uma estratégia a ser adotada é o uso do Brinquedo terapêutico. 

Brinquedos Terapêuticos

Brincar é um dos aspectos mais importantes na vida da criança. Quando brinca, torna-se criativa e reinventa o mundo, desenvolve a afetividade e, por meio do mundo mágico do 'faz-de-conta', explora seus próprios limites, partindo para uma aventura que poder levá-la ao encontro de si mesma.

O que é?

Trata-se de um brinquedo estruturado que possibilita à criança aliviar a ansiedade gerada por experiências atípicas de sua idade, que costumam ser ameaçadoras e requerem mais do que recreação para resolver a ansiedade associada. É uma técnica não diretiva, que deve ser usada sempre que ela tiver dificuldade em compreender ou lidar com a experiência, dando-lhe a oportunidade de descarregar sua tensão após os mesmos, ao dramatizar as situações vividas e manusear os instrumentos utilizados ou brinquedos que os representem.

Tipos
Existem três tipos de brinquedo terapêutico: o dramático ou catártico; o instrucional; e o capacitador de funções fisiológicas.
  • O brinquedo dramático tem por objetivo permitir a descarga emocional da criança. Assim, oferece-se a ela material apropriado - bonecos representativos da família e da equipe de saúde, material de uso doméstico ou de uso hospitalar e outros - para que descarregue as tensões e se expresse sobre alguma situação vivenciada, favorecendo a compreensão de suas necessidades pelo enfermeiro.
  • O brinquedo instrucional tem a finalidade de prepará-la para um procedimento a que será submetida, como uma coleta de sangue simulada em um boneco e usando, de preferência, instrumentos reais. Após a simulação, o enfermeiro convida a criança a brincar e a manusear o matéria verdadeiro.
  • Já o brinquedo capacitador de funções fisiológicas tem como meta potencializar o uso dessas funções na criança, de acordo com suas necessidades e condições físicas, como por exemplo, promover uma gincana de fazer bolas de sabão ou de encher bexigas, para favorecer a recuperação de seu padrão respiratório.

Utilização pelos profissionais da saúde

O brinquedo terapêutico serve como ferramenta fundamental aos profissionais da área da saúde que trabalham em unidades pediátricas, especialmente no preparo da criança para procedimentos invasivos, propiciando maior aceitação e cooperação. Considerando as 4 funções básicas dos brinquedos: recreação, quando o prazer e a distração constituem o objetivo central da atividade; estimulação, ao favorecer o desenvolvimento sensório-motor, intelectual, social e a criatividade de forma natural; socialização, ao permitir que a criança vivencie papéis sociais e aprenda a se relacionar com os demais; catarse, quando possibilita a criança dramatizar papéis e conflitos que estão enfrentando, com o objetivo de aliviar a tensão emocional.


Benefícios

  • Maior aceitação torna-se mais frequentes;
  • As crianças colaboram durante o procedimento mostrando-se mais dispostas a ajudar espontaneamente. Sorriam enquanto brincavam deixando para trás o medo e a apreensão;
  • Diminuição do estresse;
  • Desenvolvimento de interação efetiva com a equipe de saúde;
  • Melhora relacionamento mãe e filho;
  • Se adaptam melhor a unidade de internação;
  • Acredita-se que a diminuição da dor está relacionada ao fato de que o brinquedo gera prazer e distrai, aliviando o estresse da criança e consequentemente a dor.

Reflexão

A hospitalização causa impactos diversos que repercutem diretamente no desenvolvimento da criança, além de ser geradora de sofrimento não só para ela mas para a família, desse modo a garantia de inserção da família como atores do cuidado da criança é fundamental para sua recuperação, bem como a promoção do vínculo e preservação de uma assistência qualificada. O olhar voltado para a criança e as questões que a cercam refletem significativamente para que esse processo seja o menos traumático possível, sendo essencial a atuação da equipe de enfermagem nesse processo utilizando de artifícios para intervir, promover vínculos e garantir uma assistência mais humanizada.


Referências

GOMES, G.C et al. A família durante a internação hospitalar da criança: contribuições para a enfermagem. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem v.18, n.2, abr-Jun, 2014.


KICHEL, Mariana Toni; ALMEIDA, Fabiane de Amorim. Brinquedo terapêutico: estratégia de alívio da dor e tensão durante o curativo cirúrgico em crianças. Acta Paul Enferm 2009.


MAGNABOSCO, G et al. Abordagens no cuidado de enfermagem à criança hospitalizada submetida a procedimentos: uma revisão de literatura. Cogitare Enferm; v.13, n.1, p.103-8, Jan/Mar, 2008.

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